terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Prós e contras

    Sempre me pego pensando em como seria a vida se eu saísse do armário. Fico usando uma balança imaginária e pesando os prós e os contras...

Prós:
    Finalmente poderia ser eu mesmo. Dizem que o peso que carregamos sobre os ombros desaparece depois que saímos do armário. Imagino que essa tristeza que me acompanha quase diariamente também me abandonaria. Pelo menos são essas as coisas que eu leio. Bem, isso deve ser efeito do fim da mentira. Viver sem a culpa, sem ter que mascarar os sentimentos... Ser exatamente o que você nasceu para ser, dar uma chance para a felicidade.

    Mas então aparece uma dessas notícias que nos fazem querer vomitar... gays sendo agredidos, as igrejas se unindo para nos destruir (logo se unirão para lutar contras as mulheres, vão dizer que elas devem ser submissas... não com essas palavras, mas dirão.)

Contras:
    Ter que encarar as pessoas dizendo que eu mudei. Dizendo que eu não valho nada por que o que eu faço (é que não causa nenhum mal a eles) é errado e que eu devo ser punido por isso. Encarar os olhares que desejam me ver arder no inferno por algo que é bem mais puro do que eles imaginam. Casaram a nossa imagem com a promiscuidade e se esqueceram que nunca é bom generalizar... O maior motivo do contra é a ignorância das pessoas.

    Sinceramente, vejo que o momento de encarar os olhares tortos e os palavrões velados está chegando para mim. Tenho vinte e um anos e o que mais faço é desejar pela morte porque não consigo ser feliz. Isso não é certo. Ninguém tem mais direito a felicidade do que eu, todos merecemos. Os ignorantes nunca irão aceitar isso, dirão que eu estou sendo sentimentalista tentando amolecer o coração das pessoas, tentando fazer com que aceitem algo que é do capeta, mas eles estão enganados. Do capeta são as opniões vazias que eles cospem sobre pessoas como nós.

    Prós e contras, a vida está cheia deles. A cada passo que damos encontramos um caminho bifurcado e temos que escolher um caminho. Bom ou ruim, temos que dar o passo seguinte.

    Uma coisa que eu acho muito estranha no ser humano é que eles preferem dizer que tem um filho que é bandido do que dizer que tem um filho gay. Perante a sociedade e a igreja os criminosos acabam sendo mais bem vistos... "O que? Ele matou um homem? Bem, pelo menos ele não é gay." Muitos dirão que é exagero, mas eu já ouvi essa frase.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Direitos



    Certas coisas me “emputecem” de tal maneira. Sempre que vejo essas matérias com agressões a homossexuais várias perguntas se formam na minha cabeça. Você simplesmente percebe que tem muitas coisas erradas e que ninguém liga para isso.
    Marmanjos agridem homossexuais e são tidos como crianças... Tenho ódio desses pais que passam a mão na cabeça dos filhos depois que cometem tal crime. Vocês são piores do que os seus próprios filhos. Passar a mão na cabeça não é sinal de carinho. Repreender na hora certa é mais carinho do que isso.
    O que é uma criança para você? Posso te dizer que com catorze anos eu já sabia muito bem o que estava fazendo. Dizem que o voto é uma coisa importante, deixam que você vote aos dezesseis, mas se você comete um crime aos dezesseis anos... Bem, agressão contra homossexuais não é vista como crime no Brasil... Vai pra cadeia (às vezes) registra B.O., mas logo os agressores estão soltos e felizes para agredirem mais gays pela rua... e o mundo segue feliz.
    O que é pior? Um casal homossexual andando de mãos dadas ou um casal heterossexual que se beija de um jeito que parece que farão sexo no meio da rua. O segundo é bem mais ofensivo, mas todos nós sabemos o que as pessoas dirão: “O que tem de mais ali? São apenas um homem e uma mulher que se amam.”
    Acho isso tudo uma hipocrisia tão grande... Na bíblia Deus prega o amor ao próximo, mas a própria igreja não segue isso. Você será amado, desde que não seja homossexual. Você é mais bem visto se for um assassino do que se for um homossexual.
    Perante a lei somos todos iguais, não? A resposta devia ser um grande sim, mas não somos. Pagamos impostos do mesmo jeito que os outros, trabalhamos como os outros, pagamos contas como os outros, votamos como os outros, mas na hora de recorrer aos nossos direitos encontramos várias privações. Uma grande fila de nãos.
    Adotar? Não, vocês são gays... É bem melhor deixar com um casal heterossexual que pode espancar as crianças ou deixá-las jogadas na rua.
    Casar? “Acho isso uma palhaçada!” É o que todo mundo diz. O fato é que (pelo menos no meu caso), não quero me casar na igreja, mas quero poder tornar a coisa oficial, como qualquer outro casal poderia. De certa forma assegura direitos. Não é palhaçada, palhaçada são os seus argumentos contra qualquer coisa que envolva a homossexualidade, estamos falando de direitos iguais.
    Empregos. Tem muita gente que não toca nesse assunto, mas vocês já repararam que não importa o currículo que você tem, quando percebem que você é gay logo dizem não.
    Porque nos olham com tanto ódio? Será que não entrou na cabeça deles que não foi uma escolha, como eles preferem acreditar. Parece ser mais fácil nos chamar de sem vergonha do que sentar para tentar entender que é uma condição, e não uma opção. Não me lembro de ao nascer fazer uma prova de múltipla escolha e marcar a opção homossexual nela. Desde que me entendo por gente eu sou assim: andava com as meninas, brincava de bonecas e gostava de meninos... Não sabia o nome que davam para isso, mas eu sempre fui assim...
    O pior é saber que tem mães e pais que preferem ver seus filhos mortos ou no crime do que vê-los como homossexuais. Isso dói, essa ignorância machuca, lá no fundo. Não somos vistos como as pessoas que somos. Não ligam para o caráter... Estão mais preocupados com o fato de as coisas que você faz dentro do seu quarto ser diferentes das coisas que eles fazem no quarto deles.

    Ninguém vira gay. As pessoas só deixam de fingir ser algo que elas nunca foram. Chega uma hora que você tem que decidir viver sua vida ou ser triste em uma mentira que deixa os outros felizes.