sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Desabafo

    Achei que a postagem de hoje seria alguma coisa nova, mas assim que abri o blog vi que a última postagem falava exatamente sobre o que eu estou sentindo no momento, sobre o que eu estou prestes a escrever novamente com outras palavras. Isso é uma coisa que acontece bastante comigo, sabe? Eu tenho anotações em vários cadernos. Coisas que eu escrevia enquanto estava na faculdade esperando que as aulas começassem, textos salvos no computador. Quando olho para eles vejo que são praticamente a mesma coisa com palavras diferentes. Estou me sentindo um lixo pelos mesmos motivos faz muito tempo.
    Faz um tempinho que isso tem me incomodado bastante, sabe? Bem, eu sei que não é a coisa mais grave do universo. Ainda mais se pararmos por um segundo para ver o caminho que a humanidade está tomando. Mas eu também sou apenas um ser humano e... As coisas pequenas da nossa vida acabam parecendo maiores do que as coisas que acontecem no mundo. Acabo de ouvir em um anime que a gente só sente as coisas quando acontecem com a gente, perto da gente. E isso é uma coisa que vem acontecendo comigo.
    Bem, eu não cresci cercado pela melhor família do mundo. Desde que eu era pequeno as pessoas diziam na minha cara que eu era feio. Diziam que meus olhos eram de peixe morto, que o meu nariz era amassado demais, que a minha boca era grande demais... Uma família adorável, não? Mas acho que quando eu era criança não ligava tanto, ou pelo menos acho que não ligava, pq eu não sabia como o fato de ser feio poderia afetar a minha vida.
    Somente quando a gente cresce que essas coisas começam a incomodar de verdade. Somente quando a gente cresce a gente começa a se interessar por outras pessoas. E é aí que a gente começa a notar que a solidão, provavelmente, será a nossa única parceira. Não é nada bom crescer com esse pensamento, sabe? Crescer olhando para as pessoas e imaginando que poderiam ser um casal legal, que poderiam se fazer felizes, mas então se lembrar que você é um rascunho do inferno e que não existe final feliz para pessoas com a sua cara.
    Mas eu não me achava tão feio no passado. Conseguia tirar fotos e as vezes eu até olhava para elas por um tempo com admiração. Colocava nos perfis e no meu instagram. Hoje em dia eu nem me olho no espelho. Não tenho fotos minhas nos meus perfis, não posto fotos minhas. Nem mesmo tiro fotos. Se levantam alguma câmera perto de mim eu desapareço como um vampiro desapareceria ao ver a luz do sol se aproximando. Ter que olhar para o meu rosto é mortal para qualquer tipo de autoestima que eu possa tentar ter durante o dia.
    Eu não estou bem ultimamente e não tenho com quem falar. Acho que é por isso que voltei a recorrer ao blog. Eu costumava falar com um amigo, mas... Estamos tão distantes que nem sei o que somos mais. Acho que estamos caminhando para o estágio de conhecidos que se davam bem no passado. Isso é horrível. Eu estou com todos esses pensamentos me corroendo por dentro e... Eu tenho vontade de chorar, mas acho que não tenho mais lágrimas para derramar por mim mesmo.
    Eu nem me atrevo a entrar em aplicativos de pegação. Não tenho uma gota de autoestima para isso e... Infelizmente o meio gay é terrivelmente cruel se você não está dentro de um padrão. Não sou branco, não sou lisinho, não tenho barriga chapada, não tenho lábios finos, não sou algo que você gostaria de perder mais de dois segundos encarando.
    Deviam ter falado pra mim, quando eu era criança, como a solidão machuca. E acho que dói mais porque no meu caso ela não é apenas uma fase. É permanente. Nem nos meus melhores dias eu conseguiria encontrar alguém capaz de olhar para mim com um pouco de ternura.
    Quando eu era mais novo eu ainda conseguia me iludir com conversas vazias em bate-papos. Sempre estava conversando com alguém (que só continuava falando comigo pq ainda não tinha câmera dos celulares). Agora eu nem tento mais. Não sei se a solidão dói mais do que a rejeição que vem quando as pessoas veem o meu rosto. Eu não tenho vontade de sair de casa. Não tenho vontade de ver ninguém... Isso pode ser chamado de inferno, não? Estou cansado de sonhar que eu tenho alguma chance na vida.

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Bonito... Feio...

   


Muito tempo desde a última vez que passei por aqui. Falei que não iria sumir novamente e acabei sumindo por um longo tempo. Bem, ontem eu estava olhando aqui no blog e vi que tem pessoas que leem (ou tinha). E eu queria agradecer muito vocês que comentaram. A gente sabe que sofrimento não é uma coisa que só nós temos, mas ainda assim caímos naquela coisa de pensar que as coisas só acontecem com a gente e... Saber que acontece com outras pessoas, ouvir as pessoas dizendo, de certa forma faz com que eu me sinta melhor (agora parece que eu me divirto com o sofrimento alheio).
    O texto de hoje eu decidi fazer por causa de um post que eu li aqui, como eu ia dizendo. Um post que falava sobre a solidão. Bem, quero falar sobre solidão e aparência. Eu comecei a frequentar psicólogo faz mais ou menos um mês. Faz um tempo que eu tenho sentido que do ano que vem eu não passo (a psicóloga disse que isso é ansiedade) e quando comecei a pensar nisso pensei: "Eu vou mesmo morrer sem saber o que é ser feliz?" Eu devia ter procurado um psicólogo faz uns dezesseis anos atrás, mas só agora fui atrás.
    Eu adoraria dizer que as coisas melhoraram completamente, mas não. Na verdade, na maior parte do tempo sinto que estou apenas perdendo meu tempo. Nem mesmo o remédio que me passaram surtiu efeito. Ele devia me deixar para cima e me deixou extremamente paranoico e aumento os sintomas de ansiedade.
    Em uma das minhas conversas com a psicóloga falei de como me sentia em relação a mim mesmo. Que não consigo gostar de mim, pois me sinto feio demais. Chegamos ao assunto pouco depois de dizer para ela que sou gay e que tinha desistido de encontrar um parceiro.
    Foi estranho ouvi-la dizendo que eu era bonito, listando coisas que ela via em mim que achava legal e eu... Eu nunca consegui ver nada do que ela disse em mim. Mas eu acho que isso pode ser porque tem alguma coisa quebrada dentro de mim. Consigo ver beleza em qualquer um, menos em mim. Se eu olho para o espelho e vejo alguma coisa que eu gosto basta eu piscar os olhos e procurar novamente que já não está mais lá.
    Eu falei que desisti de encontrar alguém, mas... Se eu tivesse mesmo desistido não estaria sofrendo por isso ainda. Ainda sinto um aperto no coração quando vejo um carinha bonito na rua. Sinto um aperto no coração quando vejo casais de mãos dadas. Vem sempre aquele pensamento de "eu nunca vou ter isso." E aí eu tenho vontade de cavar um buraco no chão e ficar nele para sempre.
    Eu acho que se eu conseguisse desistir de verdade a vida ficaria mais fácil, sabe? Queria fazer como essas mulheres de filmes que esquecem da vida amorosa e seguem em carreiras bem sucedidas. Eu queria ser essa pessoa. Ficar gastando meu tempo pensando em vida amorosa não me faz bem.
    Eu fiquei com um pouco de raiva da psicóloga, sabe? Quando ela diz que eu tenho chance de encontrar alguém eu me sinto mal, pois eu sei como eu sou e sei como o mundo é. Não tem como eu ficar me iludindo com esse tipo de coisa que só me leva a mais sofrimento, tem?
    Bem, qualquer dia e volto para escrever mais e mudar o visual do blog, que não está me agradando.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Algumas palavras...

    Estou pensando em alguma coisa para escrever aqui faz um tempo, mas não tenho conseguido pensar em nada que valha a pena ser publicado. Queria poder dizer que tenho inúmeras experiências para compartilhar, mas não tenho. Eu ainda sou aquela pessoa que quase não sai de casa. E quando sai é por obrigação. Todos os meus relacionamentos amorosos aconteceram apenas na minha cabeça ou em algumas páginas que se perderam pelos anos. É triste você ter vinte e seis anos e não ter nada para dizer. Pelo menos nada que pareça interessante. Tudo o que eu tenho são problemas que foram cultivados ao longo de vinte e seis anos. Problemas que eu, muitas vezes, nem compreendo. Coisas que vem desde quando eu era pequeno e que somente agora eu consigo ver que eram um grande problema, mas nem mesmo consigo curá-los. Eu achei que era uma pessoa desconstruída. Sempre que ouço os meus parentes falando asneiras eu vou e os corrijo. Mas... Eu não sou essa pessoa desconstruída. Ainda carrego vários preconceitos que eu nem mesmo consigo falar porque morro de vergonha, pois sei que são ridículos. Como todos os preconceitos.
    Eu posso dizer que ainda não consigo gostar de mim. Fui criado para odiar pessoas que são como eu. Hoje eu consigo ver beleza em todo mundo, menos em mim. Sempre que olho para o espelho tento ver coisas positivas, mas só consigo encontrar defeitos. Os lábios grandes demais, a cara larga, os olhos caídos demais, a cabeça grande demais... É bem triste viver desse jeito. E quando você tenta se animar vem uma voz na sua cabeça dizendo coisas ruins. Coisas que você ouviu durante a sua vida, coisas que você pensou durante a vida...
    Devo dizer também que eu já desisti de encontrar alguém para chamar de namorado... Ou até mesmo de ficante. As pessoas dizem que eu sou pessimista, mas a verdade é que eu sou realista. Quando a gente não fala muito a gente observa. E eu vi muito desse mundo para saber que não existe um para para uma pessoa com o meu rosto, com o meu corpo, com a minha personalidade.
    O gay negro geralmente é deixado de lado. Acaba sendo apenas um fetiche para as pessoas. É o que tem o pau grande, que tem a bunda grande, é o fogoso... É a pessoa que você procura quando não quer nada sério. Quando quer apenas algumas horas de diversão. Mas nunca é aquele que você leva pra conhecer sua família. Nunca é o que você segura a mão na rua. Nessas horas somos invisíveis. E como aprendemos, desde pequenos, que o ideal é uma pessoa branca acabamos ficando sozinhos... Porque negros querem brancos, brancos querem brancos... Quem quer o negro para ter algo sério? É claro que tem alguns sortudos que conseguem um relacionamento sério e feliz, mas de tudo que eu vi do mundo eu não me encaixo nisso.